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organização não-governamental Human Rights Watch
retomou, num relatório hoje tornado público, as acusações
já anteriormente feitas por alguns círculos internacionais,
sem qualquer base séria de sustentação, segundo as
quais teriam desaparecido dos cofres do Estado mais de 4 biliões
de dólares, provenientes de receitas do sector petrolífero,
no período compreendido entre 1997 e 2002. Nele são renovadas,
por outro lado, as acusações de corrupção,
má gestão e de uma pretensa insensibilidade governativa
para com o drama social que ainda atinge muitas famílias angolanas.
O Governo da República de Angola denuncia publicamente a renovação
de tais campanhas e leva ao conhecimento da opinião pública
nacional e internacional que nunca houve em momento algum qualquer auditoria
contabilística independente que tenha comprovado essas acusações.
Informa, por outro lado, que a primeira fase do estudo de diagnóstico
do sector petrolífero já foi publicada e fornece ampla informação
sobre os fluxos financeiros relacionados com o petróleo e que,
para além disso, as contas fiscais do Governo angolano são
submetidas à audição do Fundo Monetário Internacional.
O Governo da República de Angola não pode ser responsabilizado
por estimativas das suas receitas que tenham por base fontes não
credíveis, recordando que nenhuma das entidades financeiras internacionais
comprovou até hoje as acusações de que Angola tem
sido vítima. As insuficiências que ainda se verificam no
seu sistema estatístico, de resto em vias de se ser superadas,
ou as diferenças que se observam no processo de contabilização
das receitas do sector petrolífero, decorrentes da sua conversão
da moeda nacional para dólares, numa conjuntura marcada no passado
por forte instabilidade e volatilidade da moeda nacional, não podem
servir de pretexto para o lançamento de campanhas de difamação,
que relevam da mais pura fantasia e imaginação.
O Governo da República de Angola chama a atenção
para o facto de não ser inocente o momento escolhido para mais
esta cruzada, lesiva do bom nome de Angola e dos seus dirigentes. Na verdade,
a nível interno, consolida-se o processo de estabilização
política, com avanços decisivos a ser registados no processo
de paz e reconciliação nacional, e também o processo
de estabilização económica, com resultados favoráveis
na luta contra a inflação, no aumento das reservas internacionais
e na reabilitação das infra-estruturas económicas
e sociais. A nível externo, ainda está presente o bom desempenho
de Angola na presidência do Conselho de Segurança das Nações
Unidas e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)
e o papel que o país tem assumido na resolução dos
conflitos político-militares na nossa sub-região.
Foram na verdade as melhorias políticas e económicas observadas
em 2003 que levaram à admissão de Angola para o AGOA, instrumento
com que as autoridades dos Estados Unidos da América incentivaram
a boa governação em África e promovem o reforço
da cooperação entre os EUA e África.
O Governo da República de Angola continua com o firme propósito
de prosseguir seu programa de reformas políticas e económicas
e reafirma o seu compromisso de aplicar estritamente os princípios
da unidade e universalidade das suas receitas e despesas e de observar
o maior rigor e transparência na gestão da coisa pública.
O Governo da República de Angola, em Luanda, aos 13 de Janeiro
de 2004.
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