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Mensagem À Nação de Sua Excelência José Eduardo Dos Santos, Presidente da República de Angola |
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Luanda, 03 de Abril de 2002 CAROS COMPATRIOTAS, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES
Durante muitos anos o nosso dia-a-dia foi marcado pela tristeza da guerra. Uma guerra que ceifava vidas, destruía bens e consumia grande parte dos nossos recursos e energias. Hoje estamos na véspera de um acontecimento histórico. Os Angolanos ansiavam Desde há muito tempo pela chegada deste momento de paz e de certeza no futuro. Um novo cenário já se vislumbra no nosso horizonte. Começamos a sentir os primeiros efeitos benéficos da Paz, porque ela já se manifesta na sua dimensão humana. São os membros das famílias separadas que voltam a encontrar-se. A mãe que reconhece o filho que supunha perdido. A esposa que reencontra o marido. Alguém que toma conhecimento de que o irmão afinal está vivo. Cidadãos desavindos que se combatiam de armas na mão agora abraçam-se e confraternizam. Numa só palavra: é o reencontro da grande família angolana. Abrem-se deste modo novas perspectivas para todos os cidadãos nos vários domínios da vida social, política, económica, cultural e desportiva. É Paz! Esta palavra simples, com apenas três letras é a essência da vida para todos nós os Angolanos, que aprendemos ao longo de quatro décadas o valor que a mesma encerra. Como já é do conhecimento de todos, chegaram a bom termo as conversações para o encerramento definitivo do conflito militar que tão duramente atingiu a nossa Nação. Amanha terá lugar a assinatura formal da Acta do Luena, que nos vai permitir dizer, com grande alegria, que a guerra em Angola acabou e a Paz chegou para sempre. Perante o silêncio das armas, não posso deixar de apelar à todos os Angolanos e Angolanas, sem distinção, para que comunguem em toda a sua plenitude e Paz. Para que isso aconteça é necessário que cada um e todos nós sejamos capazes de perdoar e de esquecer, isto é, de afastar os sentimentos de ódio e vingança, que nunca poderão contribuir para a construção de um mundo mais digno e mais justo para o Povo Angolano. Importa que cada comunidade, cada família, cada indivíduo cultive a serenidade e atitudes construtivas. Impõe-se que cada um olhe o passado com sabedoria, com a humildade de quem quer aprender com os erros, respeitando o Outro. Quem ama verdadeiramente a Paz tem de saber perdoar e reconciliar-se com o seu próximo, contribuindo assim para uma união verdadeira e sólida dos Angolanos, sem prejuízo para as divergências que uns e outros possam expressar. Exorto todos a cultivar também na sua prática quotidiana a tolerância e o respeito pela diferença de opinião e pelo direito à livre opção partidária. Devemos todos a partir de agora trabalhar por uma Pátria unida, solidária e madura, orientadas pelos valores da democracia e pelo respeito pelos Direitos do Homem e imune a apelos aventureiros ou divisionístas. Vamos juntos voltar os nossos olhos para a resolução dos graves e dramáticos problemas que se acumularam durante séculos de colonialismo e décadas de conflito armado. CAROS COMPATRIOTAS A harmonização da vida nacional é imprescindível para podermos ter êxito nos grandiosos desafios que temos pela frente. Teremos que cuidar simultaneamente da reconstrução física do pais, dos traumas causados pela guerra e do aprimoramento do funcionamento das instituições democráticas. São as infra-estruturas dos transportes, comunicações e energia que precisam de ser reabilitadas em todos os quadrantes. Cidades, municípios, aldeias e povoações que carecem de recuperação e de modernização. É a produção industrial e agrícola que tem de ser relançada para que possa haver mais empregos, mais riqueza e maior disponibilidade de bens materiais para a população. São as instituições financeiras e de crédito que têm de ser melhoradas e conhecer maior expansão. É a saúde, assistência médica e a criação e melhoramento dos hospitais e postos de saúde que exigem a nossa atenção por forma a combatermos a doença, em particular as endemias. Enfim, é a educação e a formação da nossa juventude que necessitam de ser fortalecidas, para que possamos ter novas gerações preparadas dignamente para enfrentarem os desafios dos novos tempos. É a criação de condições para eleições livres e justas, transparentes que temos que garantir para a normalização do nosso processo democrático. Mas, acima de tudo temos o dever urgente de socorrer os bens mais elementares os nossos compatriotas que se encontram em situação de carência extrema. São tarefas que me cabem, que cabem ao Governo e também a cada um dos Angolanos, independentemente da sua filiação ou simpatia político-partidária. O sofrimento de milhões de deslocados e de milhares de crianças órfãs, entre outras Razões, é mais do que suficientes para determinar o grau de urgência que temos em superar desconfianças e contradições do passado, para dirigir o melhor das nossas forças para o atendimento das necessidades nacionais. O advento da Paz e reconciliação em curso aumenta as responsabilidades de todos os Angolanos, que devem estar à altura neste momento, a fim de não perdermos essa grande oportunidade, que soubemos merecer pelos esforços e sacrifícios consentidos. O Presidente da República, investido nos seus poderes constitucionais, é o garante da Paz. Nesta qualidade tudo farei para que os compromissos assumidos sejam respeitados e para que todos os Angolanos se sintam cidadãos de uma mesma Pátria em que cada um pode livremente expressar as suas ideias e desenvolver plenamente a sua personalidade. Dedicarei uma especial atenção à conclusão da implemen-tação do Protocolo de Lusaka. Que a via para a Paz e reconciliação agora encetada em Angola possa servir de exemplo e encorajar a resolução pacífica de outros conflitos armados que ainda perduram noutras partes de África e do Mundo. Uma homenagem a todos aqueles que sacrificaram e tombaram pela causa da Paz. VIVA A PAZ E A RECONCILIACAO NACIONAL! VIVA ANGOLA! |