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Mensagem de Ano Novo de Sua Excelência José Eduardo Dos Santos, Presidente da Républica de Angola |
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Luanda, 27 de Dezembro de 2007 POVO ANGOLANO, CAROS COMPATRIOTAS,
Mais um ano chega ao fim e, no respeito da tradição, gostaria de partilhar convosco nesta data a apreciação que é feita da actual situação do país. Sem qualquer triunfalismo, todos constatam imediatamente que a paz está a consolidar-se todos os dias e que a guerra se tomou numa simples recordação dolorosa do passado. Constatam também as trágicas consequências dessa guerra, que temos de continuar a enfrentar e superar juntos com tenacidade, pragmatismo e visão do futuro. Por isso é que vos peço que continuemos a trabalhar juntos para vencermos mais depressa a batalha da reconstrução material e espiritual da Nação. Trabalhar juntos para atingir os objectivos comuns implica reforçar o espírito de tolerância, de reconciliação nacional e estabelecer de forma duradoura a harmonia social indispensável à normalização completa da vida nacional e da de cada família. Implica também obter a colaboração de todos para a criação de uma sociedade moderna e aberta, onde cada um pode exprimir livremente as suas ideias e ter convicções ou crenças próprias, desde que respeite o próximo e tenha noção dos seus direitos. As dificuldades que o país ainda vive são imensas, mas todos os resultados alcançados neste curto período de paz mostram que Angola pode garantir uma vida digna a todos os cidadãos no futuro, se cada um trabalhar bem e com seriedade no seu respectivo posto. Angola é neste momento, no mundo, um dos países onde a economia mais cresce. Temos de fazer tudo para que esse crescimento seja duradouro e promover de forma sustentável o desenvolvimento. A nossa economia precisa de crescer durante muitos anos mais do que cresce a nossa população. Assim, produziremos mais riqueza para distribuir e poderemos combater a pobreza de modo mais eficaz, garantindo a melhoria das condições sociais dos cidadãos. O Governo está a fazer a sua parte: a inflação foi mantida sob controlo e a gestão das finanças públicas está melhor articulada com a gestão da moeda e das reservas internacionais líquidas do país. Os recursos mobilizados para a área social, nestes últimos dois anos, privilegiaram a continuação da reintegração social e produtiva dos desmobilizados e das pessoas deslocadas durante a guerra; priorizaram o melhoramento da prestação dos serviços sociais básicos, a promoção da harmonia social e a redução significativa da fome e da miséria. Acredito, por essa razão que estamos no bom caminho, mas ainda é imenso o que está por fazer, sobretudo na periferia das cidades e nas zonas rurais. O Governo deverá prestar mais atenção às famílias que vivem nessas áreas. Sabemos que os camponeses estão a trabalhar cada vez mais. Os trabalhadores nas fábricas e nas obras estão a cumprir cada vez melhor a sua missão. O Povo angolano tem sabido assumir com maturidade e espírito solidário as suas responsabilidades históricas. Saúdo esta atitude patriótica e o seu senso crítico sobre a nossa realidade, que permite apontar os erros aos governantes para que estes escolham os caminhos mais certos. O Governo vai continuar a prestar maior atenção às empresas e para o melhor desempenho económico das mesmas vai trabalhar no sentido de assegurar, entre outros, o direito de propriedade; o respeito aos contratos; o direito dos consumidores; a defesa da concorrência e a regulação dos serviços públicos cedidos a operadores privados. Por outro lado, na perspectiva do fortalecimento do empresariado nacional, vai continuar a promover uma política de crédito com condições adequadas de prazos, custos e garantias. Finalmente dedicará maior atenção à qualificação da mão-de-obra nacional, através da disseminação em todo o território nacional de centros de formação e de aperfeiçoamento técnico e profissional, que habilitem a nossa juventude para o exercício de uma ocupação produtiva. POVO ANGOLANO, CAROS COMPATRIOTAS, Uma maior aproximação entre o Estado e a Sociedade é igualmente uma forma de contribuir para a resolução dos graves problemas sociais que ainda vivemos. Apesar da governação do país ser, em princípio, da responsabilidade de quem tem o mandato do Povo, a sociedade pode e deve dar o seu contributo à preparação das decisões mais importantes do Governo. Para tal, é preciso que os canais de diálogo entre governantes e governados estejam abertos e que se possa exercer plenamente a cidadania. A cidadania é a assunção plena e consciente dos direitos e responsabilidades que cabem a todos e a cada um de nós na criação do nosso próprio bem estar e no bem estar da sociedade em geral. Ela deve ser exercida no dia a dia, exprimindo-se quer através de críticas e propostas construtivas, quer através de acções concretas que visem a resolução de problemas e a eliminação de todos os entraves à melhoria das condições de vida de todo o povo. Neste contexto, votar é um importante exercício da cidadania. No ano que começa dentro de dias, os cidadãos angolanos vão ser chamados a eleger os seus representantes no Parlamento. É um processo que vai aprofundar o nosso sistema democrático e permitir que ele funcione normalmente. Essas eleições devem ser realizadas num clima de paz, harmonia e fraternidade entre todos os angolanos, sem recurso à violência verbal ou física, com tolerância e respeito pela opinião e pelas ideias alheias. A vontade do Povo angolano deve exprimir-se com verdade e sem limitações nos dias 5 e 6 do mês de Setembro de 2008, nas eleições legislativas que serão oportunamente convocadas. Para tal é fundamental que esteja completamente garantida a segurança dos cidadãos e a protecção dos seus bens, pois a ordem pública é uma condição indispensável para que os cidadãos se sintam tranquilos e possam viver sem quaisquer constrangimentos nem receios, exercer os seus direitos e cumprir com os seus deveres. A Polícia Nacional, como garante dessa ordem, tem de dar o exemplo, devendo os seus quadros e agentes pautar a sua conduta pelo respeito pela vida humana e pela propriedade pública e privada. Só assim esta corporação corresponderá às expectativas de todo o Povo angolano. Devemos estar todos sintonizados com o bom momento que o país vive. É um momento de esperança e de grande confiança no futuro. O Povo angolano está a conseguir sucessos e vitórias em quase todos os domínios. Estes factos enchem-nos de emoção e orgulho e aumentam a nossa auto-estima. Trabalhemos juntos para obter novos sucessos e para a prosperidade e felicidade de todos. Desejo Festas Felizes e um Ano Novo, pleno de alegrias e de realizações. |