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| Discurso Pronunciado por sua Excelência, José Eduardo Dos Santos, Presidente da República de Angola. |
| Luanda, 10 de Janeiro de 2008
Excelentíssimo Senhor Decano do Corpo Diplomático, Excentíssimos Senhores Embaixadores e Encarregados de Negócios, Ilustres Convidados, Minhas Senhoras e meus Senhores. Agradeço a vossa presença e companhia nesta cerimónia que marca o início do Ano Novo. É com muito prazer que vou trocar impressões com Vocês sobre os acontecimentos mais relevantes do ano que findou e sobre o futuro próximo. Creio que podemos considerar de positivo o ano de 2007, apesar das situações preocupantes que reinam em várias regiões do mundo. Estas situações são provocadas por factores negativos que devem merecer a nossa atenção e intervenção, por forma a alterar a sua tendência, se quisermos construir um mundo cada vez melhor e mais seguro para todos. As acções terroristas e a grande instabilidade que causam no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão e noutros lugares; as guerras pela disputa do poder em certas regiões de África; as consequências nefastas do aquecimento global da atmosfera em vários países, provocadas pela poluição do ambiente pelos países mais industrializados; as doenças endémicas e pandemias que assolam os países mais atrasados e ainda a fome e a miséria que atingem vários povos, por causa das relações comerciais injustas entre os países ricos e os mais pobres, são assuntos que devem estar inseridos na agenda de trabalho de todos os diplomatas e dirigentes políticos e da Sociedade Civil, pois muitos deles são tão graves que constituem uma séria ameaça à paz e segurança internacionais. Constatamos com agrado que a resolução dos conflitos em África está no centro das atenções tanto da União Africana como da Organização das Nações Unidas, que unem os seus esforços para erradicá-los. Mesmo aí onde se verificam maiores dificuldades, como no Sudão, na Somália e no Leste da RDC, temos a convicção de que poderá haver uma evolução positiva, se de facto houver a pressão adequada da Comunidade Internacional e se todas as partes intervenientes concluírem acordos políticos justos e os respeitarem. É sobretudo urgente a acção da União Africana e da Comunidade Internacional no Quénia, para se evitar uma degradação perigosa da situação, se restabelecer a ordem, se combater a fraude e se defender o sistema democrático. Através do diálogo construtivo e da tomada de medidas conjuntas é possível ter em conta as legítimas preocupações e interesses de todas as partes envolvidas e encontrar soluções justas e duradouras. A República de Angola reitera, por essa razão, o seu apoio às missões de paz das Nações Unidas, em geral, e às missões de paz da União Africana no nosso continente. Ela vai continuar a aderir ou a pronunciar-se a favor das iniciativas e acções da Comunidade Internacional que visem a restauração e manutenção da paz e da estabilidade, em África e no mundo em geral, e a promoção do reforço do entendimento e da cooperação entre as Nações. Neste quadro se insere a realização em 2007, na capital portuguesa, da Cimeira entre a União Europeia e a África, que foi um acontecimento importante porque permitiu às duas regiões restaurar o diálogo, com vista a encontrar soluções justas para os problemas de interesse comum. Desejamos que as parcerias definidas nesta Conferência se concretizem de facto, na base dos princípios do respeito mútuo, da igualdade e reciprocidade de vantagens. A recente regularização da dívida de Angola junto do Clube de Paris pode ser inserida neste desejo do aprofundamento das suas relações económicas com os países europeus, permitindo a reabertura das linhas de financiamento às importações Angolanas por importantes bancos da Europa, sem garantia de petróleo e aumentando o fluxo de capitais para a promoção do mais rápido crescimento da economia nacional. A realidade da globalização, no entanto, conduz-nos naturalmente à necessidade da diversificação das relações internacionais e à aceitação do princípio da concorrência, que substituiu de forma dinâmica o conceito petrificado de zonas de influência que antes caracterizavam o mundo. Estamos assim abertos para cooperar com os países mais industrializados; com as chamadas economias emergentes, que são o Brasil, a China e a Índia; com os países africanos e outros. A diversificação confere maior democraticidade nas relações internacionais e deve, obviamente, ser encorajada. O Governo angolano, tal como o dos outros países africanos, quer continuar a conduzir o destino do seu povo, não aceitando que o seu território seja teatro de novas disputas de interesses alheios, que acarretem tensões e ponham em causa as suas legítimas aspirações de paz, estabilidade e desenvolvimento sustentado. Angola não pretende excluir ninguém e quer cooperar com todos, estabelecendo parcerias equilibradas que dão vantagens a todas as partes. Desejo a todos os presentes votos de felicidade e prosperidade neste ano de 2008 e peço que transmitam aos respectivos países votos de paz, estabilidade e progresso. Feliz Ano Novo! |