temos agora a certeza de que a grande
maioria dos Angolanos apoia sem reservas a política de reconstrução
nacional e de desenvolvimento que está em curso.
Para a completa normalização da vida
política nacional falta-nos agora aprovar a nova Constituição
da República e realizar as Eleições Presidenciais.
Esta participação consciente do cidadão
comum na vida nacional foi importante e desejamos que ela seja complementada
com a revalorização do seu lugar no seio da sua família,
do seu trabalho e da sua comunidade mais próxima, de modo
a criarmos uma sociedade mais justa e equilibrada.
Um país é feito de pessoas, compreendidas
tanto na sua individualidade como no seu papel de agentes sociais.
Por essa razão, é importante que
os actuais avanços políticos, económicos e
institucionais da Nação se façam sentir também
no plano social e no plano da mudança de mentalidades.
O Estado deve ser um agente dinamizador da transformação
espiritual, em particular no resgate dos valores éticos e
morais que, ao longo dos muitos anos de conflito, deram lugar a
uma mentalidade imediatista e egoísta no seio da nossa sociedade.
Mas não poderá haver mudanças
profundas e duradouras se estas não tiverem na base, como
eixo central e estruturante, a própria família.
Não haverá desenvolvimento real nem
modernização do país sem famílias estruturadas
e saudáveis, capazes de favorecer o florescimento das novas
gerações.
É necessário que o Estado encontre
na sociedade e nas famílias aliados e parceiros, conscientes
da tarefa que temos nas nossas mãos.
Nenhum esforço é demasiado para resgatar a dignidade
e a integridade moral e espiritual das nossas famílias.
Estou a referir-me ao estímulo aos valores
e atitudes construtivas dos jovens, ao aproveitamento das suas potencialidades
intelectuais e ao combate ao consumo desregrado de álcool,
ao consumo de drogas e a todas as práticas anti-sociais.
Estou a referir-me também ao fortalecimento
do papel dos pais e dos professores, como agentes fundamentais da
educação e formação da nossa juventude,
que devem assentar no conhecimento científico e no conhecimento
da nossa História e dos valores positivos da nossa cultura.
Os pais e professores devem estar mais presentes,
mais solidários e bem preparados para as suas responsabilidades
comuns.
Estou a referir-me ainda à violência
doméstica, em particular à violência contra
a mulher, mais frequente e ainda pouco denunciada na nossa sociedade,
bem como a todas as formas de abuso contra a integridade física
e psicológica da criança, que devemos combater sem
vacilar.
É preciso rever certos hábitos e tradições,
principalmente no contexto da vida urbana, para defender sem reservas
o estatuto da família bem estruturada, onde predomine o amor,
a compreensão e o respeito recíproco, a cooperação
e a igualdade de direitos, e se aceite a reprodução
planeada e a paternidade responsável.
Quer na esfera familiar e nas relações
económicas e sociais, quer no âmbito da administração
pública, temos de defender acima de tudo o princípio
de que a Lei deve ser respeitada por todos, combatendo tanto o abuso
de poder e todas as práticas ilícitas como o desrespeito
pelas hierarquias estabelecidas.
Estamos a construir uma sociedade democrática.
Na verdadeira democracia existem princípios e regras que
temos de respeitar.
A liberdade individual e colectiva e a igualdade
de todos perante a Lei são direitos invioláveis que
nos permitem agir e contribuir para o bem comum.
Mas para cada direito há um dever, que deve ser cumprido
com responsabilidade e que não distingue a cor, o credo religioso,
a filiação partidária, o sexo ou a idade do
cidadão.
Temos também de resgatar o valor do trabalho
e de promover o espírito empreendedor e o reconhecimento
do mérito como factores da transformação económica
e da ascensão social e como fonte legítima da prosperidade,
cerrando fileiras contra o grande mal da corrupção,
tanto activa como passiva.
Caros compatriotas,
A economia mundial vive a maior crise desde os anos 30 do século
passado. As economias mais fortes do mundo entraram em desaceleração
e apresentam evidentes sinais de recessão.
Verifica-se, assim, uma forte queda do crescimento da actividade
económica, fundamentalmente nos Estados Unidos da América
e na Europa, que está a afectar as economias dos países
africanos.
As receitas destes países estão a diminuir significativamente,
porque as economias mais desenvolvidas estão a consumir cada
vez menos matérias-primas.
Aumentou a oferta desses produtos no mercado e
os seus preços estão a baixar.
No nosso caso, o preço do petróleo
e dos diamantes tem estado a descer muito, exigindo do nosso Governo
acções que visem o reajustamento do Orçamento
Geral do Estado e de algumas metas do Plano Nacional para 2009.
Esse ajustamento, no entanto, não vai modificar a estratégia
nem os objectivos estabelecidos no domínio económico
e social.
Isto é, o Governo fará tudo para
manter a estabilidade política e macroeconómica e
continuará a realizar investimentos públicos significativos
na reabilitação e construção de infra-estruturas,
criando emprego e as condições para o crescimento
da produção, na base do aproveitamento racional dos
nossos recursos naturais e respeitando o equilíbrio entre
a economia e a ecologia.
O crescimento do emprego e a melhoria da remuneração
do trabalho farão crescer a procura e, por essa razão,
o Governo vai estimular e incentivar o investimento privado na produção,
para aumentar a oferta de bens e serviços, e vai também
desenvolver uma política adequada de investigação
científica e de formação e gestão dos
recursos humanos.
Deste modo, e apesar das consequências que
Angola possa sofrer por causa da crise económica mundial,
pretendemos manter o nosso modelo de desenvolvimento sustentável
e a tendência de forte crescimento económico, com a
geração de empregos e a melhoria da qualidade de vida
dos cidadãos e das famílias angolanas.
As conquistas que já obtivemos na reconstrução
física e material do nosso país são expressivas
e serão ainda maiores nos anos que se seguem, se formos capazes
de reconstruir também as mentalidades. A hora de começarmos
a construir uma nova mentalidade é esta.
Um novo país está a nascer e com ele há-de
florescer também um cidadão novo. Tenho plena confiança
nas nossas capacidades para juntos combatermos por uma cidadania
plena e activa.
Esse novo combate exige não só humildade
no reconhecimento dos nossos erros e limitações, mas
também empenho e compromisso no fortalecimento das nossas
virtudes e qualidades.
A todos os Angolanos deixo aqui expresso o meu
apelo à união e ao trabalho, com votos de dias mais
felizes.
DESEJO A TODAS AS FAMÍLIAS ANGOLANAS
UM PRÓSPERO ANO NOVO!
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