| alemão.
Este encontro visa dar uma perspectiva sobre o
desenvolvimento de oportunidades que existe em Angola para aqueles
que pretendem fazer os seus negócios de uma forma transparente
e com benefícios para todas as partes envolvidas.
O fim da guerra em 2002, a posterior consolidação
da paz e da reconciliação nacional, a realização
das reformas institucionais e o desenvolvimento da vida democrática
estão a transformar radicalmente Angola.
Um grande investimento foi feito pelo Governo para
o reassentamento das populações deslocadas e para
acolher as pessoas refugiadas no exterior por causa do conflito
armado e para a reintegração social harmoniosa de
centenas de milhares de ex-militares e respectivas famílias.
Está também em curso a reconstrução
ou a construção de raiz de todas as infra-estruturas
necessárias ao normal funcionamento da economia e à
normalização da vida social, como estradas, pontes,
centros de produção de energia, àgua, escolas,
centros médicos, hospitais, etc.
No plano político foram realizadas as eleições
legislativas em Setembro de 2008, que mereceram o reconhecimento
da Comunidade Internacional como sendo livres e justas e confirmaram
a confiança dos eleitores no programa do governo que está
agora em execução.
No plano macroeconómico, o Governo logrou
uma importante vitória na redução da inflação
e na criação da estabilidade monetária, restabelecendo
a confiança no valor da moeda nacional.
A legislação angolana, tida durante
certo tempo como limitativa, burocrática e pouco estimulante,
foi alterada e permite agora a protecção de todos
os investimentos feitos, públicos ou privados, nacionais
ou estrangeiros.
Graças a esses esforços feitos pelo
Governo e pelo povo angolano, Angola é hoje um país
estável do ponto de vista político e social, os seus
indicadores macroeconómicos também são estáveis
e tudo isto constitui a base indispensável para o seu desenvolvimento
económico acelerado e sustentável.
O foco principal do governo angolano continua
a ser o combate à fome, pobreza e às grandes
endemias e a melhoria da saúde e da qualidade de ensino a
todos os níveis.
A grande dinâmica de crescimento da economia
de Angola, uma das maiores a nível mundial, faz com que exista
hoje um terreno fértil para se agir em todas as frentes,
pois quase tudo está por se fazer.
Apesar da grave crise económica e financeira
que afecta praticamente todo o planeta e também obviamente
Angola, o nosso Governo tomou já as providências para
atenuar os seus efeitos negativos.
O rol de acções a empreender estrutura-se
em torno de dois princípios essenciais, que são a
redução da dependência do petróleo e
dos diamantes, através da diversificação da
economia e da criação de empregos, e saneamento dos
gastos públicos.
Outras medidas previstas são a substituição
de importações e o fomento das exportações,
tornando a nossa indústria e a agricultura mais competitivas;
a promoção do saneamento financeiro das empresas públicas
estratégicas; a priorização dos investimentos
que têm financiamentos assegurados e a criação
de uma nova estratégia de comercialização de
diamantes, com maior intervenção do Estado.
Senhores Empresários,
Em todos os domínios a que me referi será
bem-vindo o investimento privado, em especial de países com
uma economia sólida e desenvolvida e com uma tecnologia
avançada como é a República Federal da Alemanha.
Sabemos que a Alemanha, reunificada desde 1990,
é a terceira potência económica e comercial
do mundo, com o produto nacional bruto por habitante mais alto da
União Europeia e uma posição dominante em muitos
sectores chaves da economia moderna, sendo considerada a campeã
mundial das exportações.
Assim sendo, a cooperação entre a
Alemanha e Angola seria especialmente bem-vinda em áreas
específicas como o sector mineiro e energético, a
mecanização agrícola, a manutenção
de equipamentos, o reforço institucional, os serviços
de engenharia, a formação de quadros e a investigação
cientifica, entre outros.
Na actual conjuntura, impõem-se cada vez
mais que se estimule a iniciativa privada e o desenvolvimento do
sector empresarial, como alavancas do crescimento sustentado da
economia, através da inovação, eficiência
e da eficácia.
Senhores Empresários,
Sabemos que a próxima reunião do
G-20, do qual a Alemanha é um dos mais importantes parceiros,
a ter lugar no próximo mês de Abril em Londres, tem
em vista estudar os melhores e mais expeditos mecanismos para se
por fim a actual crise.
Seria realmente importante que essa reunião
passasse das palavras aos actos e contribuísse, de facto,
para a solução dos graves problemas actuais.
Se a situação não for revertida,
esses problemas poderão atingir de forma particularmente
dramática os países emergentes ou com democracias
ainda pouco consolidadas, como é o caso de Angola.
Estou certo que nessa reunião a Alemanha
fará ouvir a voz da razão e que nela será definido
um plano de acção comum contra a crise que a todos
afecta hoje.
Espero que a cooperação entre os nossos dois países
vá aumentar e diversificar-se, com vantagens recíprocas,
depois da nossa visita.
Eu escutei particularmente, com muito interesse,
a intervenção do senhor ministro da economia.
E os instrumentos que vamos assinar hoje, como
o Acordo Cultural e o Entendimento sobre questões económicas
e financeiras, abre uma janela de esperança a todos os senhores
empresários que aqui estão presentes e também
ao meu Governo, pois, a garantia dos recursos financeiros, seja
através de créditos de expurgação, seja
através de créditos com carácter concessional
a serem concedidos por instituições financeiras alemães,
poderão ajudar significativamente na presença dos
empresários alemães em Angola para puderem desenvolver
negócios, bons negócios, que sirvam para satisfazer
os seus interesses e de Angola, sobretudo os financiamentos
com carácter concessional poderão ajudar Angola a
implementar o seu programa que já está em curso de
reimplantação e desenvolvimento das infra-estruturas,
por forma a criar condições para que os empresários
possam investir com mais vantagens e realizar os seus negócios
de forma diversificada e naturalmente com lucros ainda maiores.
Eu gostaria de deixar aqui um apelo a todos aqueles
que acreditam no meu país, que acreditam no esforço
que o nosso governo está a fazer para reabilitar a sua economia
e criar as condições do seu desenvolvimento. Devo lançar
aqui um apelo para que visitem Angola, para que se estabeleçam
parcerias com empresas locais que desenvolvam iniciativas, seja
criando pequenas, médias ou grandes empresas, e se enquadrem
nos objectivos que estão definidos no programa de desenvolvimento
nacional aprovado pela nossa Assembleia Nacional.
Gostaria também de exprimir aqui a convicção
de que manterão a confiança no nosso Governo. Nós
criamos as condições de estabilidade, de política
social macroeconómica.
Somos um actor importante na sub-região
central e austral de África, onde desempenhamos um papel
de moderador, de estabilizador, porque estamos agora a ver a vossa
presença em Angola não apenas no sentido da exploração
do mercado interno, mas também procurando realizar negócios
que se possam estender a outros mercados na região, aos países
vizinhos.
Pois os esforços de desenvolvimento no domínio
das infra-estruturas não visa apenas reabilitar infra-estruturas
nacionais, mas aquelas que têm também conexões
com os países vizinhos que se estendem por conseguinte além
das nossas fronteiras.
Refiro-me ao caminho-de-ferro de Benguela, uma
importante via de comunicação que liga Angola à
República Democrática do Congo, à Zâmbia
e pode chegar ao Zimbabwe.
Portanto, é uma via que pode ligar o oeste
e o leste de África.
O caminho-de-ferro desemboca no Porto do Lobito, importante Porto
de águas profundas, e através do qual, no passado,
foram exportados minérios que eram explorados na República
da Zâmbia, na República Democrática do Congo
e até no Zimbabwé.
Com esta via e com a via fluvial do rio Congo,
ou rio Zaire, com o grande potencial energético que há
ainda, que estará em fase de reabilitação,
certamente, proximamente, nós teremos as condições
para não apenas ver Angola, e esse seu pequeno mercado, mas
num mercado mais amplo que juntará pelo menos 70 milhões
de consumidores da Republica Democrática do Congo, cerca
de 20 milhões em Angola, e, enfim, outros tantos na Zâmbia,
vamos dizer, enfim, um conjunto de aproximadamente 200 milhões
de consumidores, por conseguinte um mercado que pode estender-se
desde o Equador, até ao cone sul do continente africano,
portanto,
um mercado com grande potencial em todos os domínios
e que nós bem gostaríamos de explorá-lo, nós
os africanos, com a grande contribuição dos nossos
parceiros europeus, neste caso presente os nossos parceiros alemães.
Portanto, saúdo assim uma parceria estratégia entre
Angola e a Alemanha, que permita desenvolver não só
Angola, mas também criar sinergias para uma extensão
para o desenvolvimento de acções úteis em países
próximos de Angola.
Finalmente queria agradecer a forma
calorosa e amiga como fomos recebidos e desejar que se fortaleça
cada vez mais a amizade entre Angola e a Alemanha e desejo a todos
muitas felicidades, prosperidades e bons negócios quando
forem a Angola. |